domingo, 5 de fevereiro de 2012

Casos de DST dobram entre idosos nos últimos 10 anos


No Brasil, os casos de aids em idosos também dobraram entre 2000 e 2010

Entre as doenças sexualmente transmissíveis mais comuns entre idosos estão sífilis, clamídia e gonorreia; os novos casos de aids nesse grupo dobraram na última década (Thinkstock)

O número de casos de doenças sexualmente transmissíveis (DST) entre pessoas acima dos 50 anos dobrou na última década. O dado alarmante acaba de ser publicado em um editorial do periódico médico Student BMJ. Entre as doenças que despontam na lista de transmissões citadas pelo estudo estão sífilis, clamídia e gonorreia.

No editorial do Student BMJ, os médicos Rachel von Sinson, do King’s College London, e Ranjababu Kulasegaram, do St Thomas’ Hospital London, citam uma pesquisa que mostra que 80% dos adultos entre 50 e 90 anos são sexualmente ativos. Estatísticas mostram um aumento nos casos de sífilis, clamídia e gonorreia na Inglaterra, Estados Unidos e Canadá nas pessoas entre 45 a 64 anos.

Existem ainda poucas pesquisas sobre as razões por trás do aumento no número dessas doenças. Uma das hipóteses é a de que ela se deva às mudanças físicas — mulheres na menopausa são mais vulneráveis a uma DST. Além disso, alguns dados mostram que os homens que usam drogas contra a disfunção erétil têm mais chances de serem diagnosticados com uma DST no primeiro ano de uso do remédio.

De acordo com os autores, de posse desses dados, os médicos deveriam encorajar discussões sobre sexo seguro, independente da idade do paciente. "O profissional não deve deixar de investigar infecções sexualmente transmissíveis em idosos."

Brasil — No Brasil, o Ministério da Saúde não tem dados sobre o índice de transmissões das DSTs, porque a notificação não é obrigatória. A única doença a ter registro é a aids. Segundo dados do Boletim Epidemiológico Aids e DST/2011, feito pelo Ministério, o número de novos casos entre pessoas acima de 50 anos passou de 2.707, em 2000, para 5.521, em 2010 – um aumento de 103%.

De acordo com Jean Gorinshteyn, infectologista responsável pelo Ambulatório do Idoso do Hospital Emílio Ribas, esse aumento no número de casos pode estar sendo causado pela combinação de drogas para disfunção erétil e falta de costume do uso da camisinha. “Essas pessoas não estão acostumadas a usar camisinha, e quando a usavam era para evitar uma concepção indesejada, não uma DST”, diz.

Entre os idosos, os homens são as principais vítimas: no ambulatório coordenado por Gorinshteyn, 75% dos infectados são do sexo masculino. Dos cerca de 120 pacientes (entre homens e mulheres) atendidos no local, 90% têm entre 60 e 65 anos, 80% são heterossexuais e 78% são casados. "A mulher normalmente tem uma baixa na libido com a menopausa. Já o homem, com a existência de drogas contra a disfunção erétil, acaba, muitas vezes, prolongando sua vida sexual”, diz o especialista.

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/casos-de-dst-dobram-entre-idosos-nos-ultimos-10-anos

COISINHAS EXTRAS QUE NÃO ATRAPALHAM A VIDA SEXUAL


Fonte: Uol Comportamento



Você conquistou aquela pessoa especial, mas, na hora H, morre de vergonha de tirar a roupa, porque está com gordurinhas extras. Com isso, torna uma experiência que poderia ser especial em uma verdadeira catástrofe. Ou, então, faz parte daquele time que prefere fazer sexo na penumbra (ou com a luz apagada mesmo), para tentar esconder os pneus, a celulite, as estrias, a barriga saliente...

Se esse tipo de preocupação vem detonando a sua vida sexual, é hora de mudar de vida. E nem pense que estamos falando de dieta. Especialistas mostram várias razões para você aprender a aceitar a própria silhueta e entender que o órgão sexual mais poderoso é o cérebro.

De acordo com o psicólogo Oswaldo Martins Rodrigues Jr., diretor do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex), para a vida sexual, o aspecto físico faz mais diferença, apenas, antes da aproximação. "Após o primeiro contato, a aparência diminui de importância, mesmo porque já cumpriu a função, que é de atrair pela visão. Nos passos seguintes, os outros sentidos é que contam para estimular sexualmente", afirma.

O que é importante?

A verdade: homens não se preocupam com celulites e estrias. "Homens que buscam sexo se preocupam com mulheres que tenham vontade de transar. Uma mulher ser reconhecida como esteticamente maravilhosa não significa que seja adequada sexualmente. Os homens que já tiveram alguma experiência sexual sabem disso e não apostam apenas no visual externo", diz o psicólogo Oswaldo Martins Rodrigues Jr. Ser boa de cama tem muito mais a ver com a performance na cama do que com o visual diante do espelho. Da mesma maneira, nenhuma garota vai reclamar de uma certa barriga, se o sujeito tiver pegada.

O que soma pontos, entre quatro paredes, é se entregar totalmente ao momento, não sentir medo nem pudor de descobrir novas e enriquecedoras sensações. Enquanto uma mulher se esforça em murchar a barriga em uma determinada posição, o homem está prestando atenção na maciez da sua pele, no formato dos seios, na penugem abaixo do umbigo. "Ser uma pessoa solta na cama, sem frescuras, ajuda bastante para que a vergonha em relação ao corpo fique pelo lado de fora do quarto", afirma a sexóloga Carla Cecarello, de São Paulo.

Não se deprecie

Segundo a professora de artes sensuais Nelma Penteado, de São Paulo, muitas mulheres têm a péssima mania de chamar a atenção do parceiro para o que elas julgam defeitos. "Elas enchem os namorados de perguntas tolas. Querem saber se estão gordas, se o bumbum está caído, se a estria é muito evidente... Nos meus cursos, aviso, de cara, que é terminantemente proibido fazer propaganda negativa de si mesma", conta.

"Com tanta insistência, o homem pode começar a perceber coisas que ele nunca havia reparado", diz a especialista, autora do livro "AleGGria" (Matrix Editora), com dicas para mulheres gordinhas. Os homens, apesar de não terem esse hábito tanto quanto as mulheres, também não estão livres desse vício. Portanto, também devem tomar cuidado para não adquirir o hábito de se depreciar, enaltecendo seus defeitos e tentando convencer a mulher de que ele está, sim, cheio de deles.

Goste de você

Não gostar do próprio corpo é um mecanismo neurótico de defesa psicológica. As pessoas gastam mais energia tentando a reparação do que buscando o prazer. Só que, em muitos casos, perder peso não resolve nada se a mudança maior não ocorrer na cabeça e na maneira de se enxergar. "Pode acontecer de a mulher perceber que, mesmo magra, é incapaz de se amar", explica o especialista em sexualidade Oswaldo Rodrigues.

Homens com barriga proeminente, atenção. Isso não interfere em nada daquilo que uma mulher gosta na cama –independentemente se faz mal ou bem à saúde. A saber: preliminares longas, carícias da pontinha dos pés ao último fio de cabelo, sexo oral caprichado e muito beijo na boca, sim, encantam as mulheres –não uma barriga que parece um tanquinho.

Relaxe mais

O sexo é o momento em que os estímulos físicos gerados pela visão não têm tanta importância, mas os gerados pelo pensamento, sim, são prioritários. Quem fica pensando o tempo todo se o parceiro está reparando nas gordurinhas não consegue relaxar e aproveitar o contato, o toque, as carícias...

"Se a pessoa quer transar e mostra gostar do sexo, ela própria não vai ligar para a aparência. Em consequência, quem estiver com ela também não", afirma a sexóloga Carla Cecarello.

As pessoas que transam sempre na mesma posição, pois acreditam que ela favorece o corpo, em vez de disfarçar o que incomoda, estão oferecendo e curtindo muito pouco do sexo. A variação torna tudo muito mais divertido, íntimo e prazeroso.

O estímulo visual conta. Mas e os outros sentidos? Gemidos, sussurros e palavras são muito excitantes e precisam ser explorados. Assim como um bom perfume e o toque da pele. Com ou sem quilinhos extras, lembre-se de dar um trato nos cabelos, aparar bem a barba, cuidar da pele... Sua vida sexual agradece.

http://euescrevologoexisto.blogspot.com/2012/02/coisinhas-extras-que-nao-atrapalham.html?spref=fb

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade

Escrito por Caio Augusto, Caroline Dutcovsky, Maria de Lourdes Palmieri, Michelle Silva e Sthefanny Ferrari |

1. Introdução

O tema Homossexualidade, mesmo tão presente na contemporaneidade, ainda é um assunto de grande repercussão, geralmente considerado como “tabu”, principalmente quando abordado dentro de uma família tradicional, como exemplo, um programa humorístico da televisão brasileira que retrata a culpabilidade de um pai ao ver seu filho “desmunhecar” frente a situações sociais com o bordão: “Mas, onde foi que eu errei?!!”, demonstrando claramente essa escandalização da temática.

Relacionar-se com um parceiro do mesmo sexo é uma ocorrência relativamente comum no mundo através dos tempos, porém, ainda com a presença de indivíduos homossexuais e bissexuais na história da humanidade o tema continua trazendo muitas controvérsias na modernidade e contraditoriamente em uma sociedade que se nomeia tão “liberal”, colidindo com dogmas morais e religiosos, influenciados por ignorância e contrastando com intuitos políticos.

A discussão acerca da homossexualidade dentro de comunidades de estudiosos ainda é muito acirrada, pelo fato da ciência ainda não ser suficientemente capaz de determinar sua causalidade. “Seria a homossexualidade predominantemente um fator de cunho ambiental?”; “Seria ela, puramente genética, sendo assim, onde está o tal `x colorido´?” ; “Ou talvez, um conjunto de fatores, misturando o meio, a biologia e a cultura, formando uma multicausalidade?” Bem, estas respostas são o que milhares de estudiosos das mais diversas linhas da psiquiatria, psicologia, biologia, medicina geral, neurociências, sociologia e antropologia desejam poder responder um dia. Até então é muito dito que se trata de um aspecto da condição humana que acarreta profundos efeitos sobre a vida de um sujeito e da comunidade em si.

1.1 O Que é Homossexualidade?

A sexualidade envolve o comportamento, ato sexual, noções de gênero (feminino e masculino), dentre outros. O ser humano moderno vive em uma sociedade que não possui o costume de enxergar o sexo como algo natural do ser vivo e de cada indivíduo em particular. Existe a ideologia de que “deve-se ser igual/normal”, sendo assim qualquer diferença é mantida em segredo, causando uma angustia ao individuo (PICAZIO, 1998).

É preciso entender o que de fato seria um problema em si e o que é designado como problema pela sociedade, uma vez que o desejo não causa dor, a problemática no caso seria a sociedade que não aceita seus diferentes membros, pois cada um tem sua combinação de sexualidade e buscam-se diferentes modos de relacionamento. O melhor caminho é a aceitação para se obter uma vida melhor em uma sociedade civilizada (PICAZIO, 1998).

As possibilidades são diversas e não é conveniente, em um tempo com preceitos tão liberais, julgar o que é certo ou errado. A sociedade contemporânea está passando por grandes transformações, onde, por exemplo, algumas questões consideradas anteriormente como eternas, hoje já se modificaram e continuam se modificando (PICAZIO, 1998).

Freud, grande estudioso dos processos subjetivos da mente e pai da psicanálise, no início do séc. XX apontou algumas possíveis causas da homossexualidade determinando, basicamente três fatores causais: a forte ligação com a mãe, a fixação na fase narcísica e o complexo de castração.

“No primeiro, o homossexualismo teria início devido a uma forte e incomum fixação com a mãe o que impediria essa pessoa de se ligar a outra mulher. O segundo fator, o narcisismo, faz com que a pessoa tenha menos trabalho em se ligar ao seu igual que em outro sexo. A estagnação na fase narcísica faria com que "o amor fosse para eles sempre condicionado por um orgão genital semelhante ao deles" (Ferenczi). O terceiro fator, aponta problemas relativos à travessia da castração, isto é, sofrimentos relativos as perdas e a idéia de morte que deixariam a pessoa acomodada ou acovardada na sua psicossexualidade” (LIMA, 2001).

Um esclarecimento importante a se ressaltar é a confusão de terminologias quanto a referencia ao homossexual. O termo Homossexualismo, que podia ser visto antigamente até mesmo em um manual importante para consultas de profissionais da área médica como o CID-9 (Código Internacional de Doenças), admitia que o indivíduo homossexual possuía um transtorno mental e, portanto, era “doente”. O sufixo “ismo” da palavra traz um significado “patológico/doença”. O “Homossexualismo” estava incluído dentro do capítulo V: Transtornos Mentais, com o código 302.0, mas nos últimos anos, com a explosão de grupos denominados “gays” crescendo não apenas no Brasil como no mundo, houve a necessidade de não somente adequar o manual, como em suas revisões, modificar a forma que o assunto era abordado.

Freud cita acima o termo “homossexualismo”, muito provavelmente por ter como formação a medicina, e em sua época esta nomenclatura e ideologia patológica fosse a aceita em termos de comunidade médica.

É preciso lembrar, por outro lado, que o CID não é somente uma classificação de doenças, lesões e causas de morte, em suas últimas revisões, passou a ser utilizado como instrumento para codificar motivos de consultas em serviços de atendimento médico, passando então a incluir várias entidades que não são doenças, lesões ou causas de morte (LAURENTI, 1984).

A partir de tantas discussões causais, com constantes questionamentos se “é doença?”, e com o imenso crescimento de grupos de homossexuais lutando por suas identidades nas mais diversas culturas, convencionou-se então a utilização do termo “Homossexualidade” como referência ao indivíduo que possui maior afinidade psicofísicosexual por membros do mesmo sexo.

Atualmente, dentro do CID-10 , continua existindo um código para homossexualismo (F66.x1) por se tratar de um instrumento estatístico para classificar causas de morte, diagnósticos de internação hospitalar e motivos de consulta mesmo que contra isso continuem os movimentos, pressões e apoios. Este código apenas deixaria de existir quando não houvesse mais, em absolutamente nenhum lugar do mundo consultas motivadas pelo fato de ser homossexual. Da mesma maneira que o heterossexualismo agora existe no CID e será discutido quando trouxer a um indivíduo algum desconforto ou, principalmente, discriminação, o que o levará a procurar, sob diversos pretextos, um médico para orientá-lo. (LAURENTI, 1984). Vamos aguardar o CID-11 em 2014 e observar como as mudanças culturais e temporais da sociedade influenciam estes códigos e suas nomenclaturas.

Os indivíduos ainda hoje têm grandes duvidas sobre como a homossexualidade “surge”, se seria possível evitá-la ou não, se seria um desvio ou algo natural, se é algo que se passa de pessoa para pessoa. A resistência em entender a homossexualidade pode se dar pelo fato de se acreditar erroneamente que “é um desejo adquirido ou aprendido” e não apenas algo natural como a heterossexualidade, onde se sente um desejo como qualquer outra pessoa (PICAZIO, 1998).

Uma grande problemática psicológica que um adolescente ou adulto pode ter, é a constatação de ser homossexual, pois não é fácil para o indivíduo ter um desejo que não é respeitado pelos demais e um desejo que é ainda muito perseguido pela sociedade, passando por uma batalha pelo preconceito, engajando-se na luta por seus direitos. Com tantos problemas, preconceitos e julgamentos, se a homossexualidade fosse uma opção, quem a escolheria?

Ainda que se tente disfarçar a condição homossexual e os sentimentos deste indivíduo em relação aos amigos, parentes, etc não é algo fácil mentir para os outros e principalmente para si. E com isso, esses sentimentos vão causando ao individuo um sentimento de culpa, de anormalidade e assim, acabam ficando entre o viver e o medo de ser rejeitado. Porém, em muitos casos o individuo consegue desabafar e tirar esse “peso de suas costas”, dizendo tudo o que sente para família, amigos, e parentes num geral, acabando com aquele incomodo de mentir para todos em sua volta, podendo então buscar sua felicidade sem medo e ser amado por quem se é, não importando sua orientação sexual (PICAZIO, 1998).

1.2 Hipóteses sobre a Homossexualidade

Há muitas controvérsias sobre a gênese da homossexualidade, os grandes estudiosos almejam muito saber se é determinado geneticamente, se é resultado da educação ou do meio ambiente em que a pessoa é criada.

“Tudo na sexualidade está a serviço da sobrevivência dos indivíduos dos gens ou das espécies (da natureza). No humano, seguramente também. Ainda que, no humano, os caminhos da sobrevivência (no imaginário) atravessam estranhos percursos de morte e de inefabilidade. O homem é anjo e animal, digamos: não é estranho que sua sexualidade seja mistério. Desde os gens até a cultura, nos informam desses assuntos estranhos e misteriosos” (GRAÑA, 1998, p. 110).

O neurobiólogo Roges Goski (Universidade da Califórnia) fez alguns experimentos laboratoriais com hormônios masculinos (testosterona) em fêmeas e observou que desde as primeiras fases de suas vidas, esses animais tendiam para comportamentos mais masculinos (mais agressivas, além de uma maior atração por fêmeas).

O geneticista Dean Hamer (Instituto Nacional de Saúde dos EUA) garante que a homossexualidade possui uma determinação genética, pois ele afirma ter descoberto genes em uma determinada região, apelidada por ele de GAY-1, associados à homossexualidade. Porém, essa hipótese não possui muita credibilidade no meio científico americano. Esta é uma tese muito discutida, pois tira a homossexualidade no âmbito da escolha (e portanto opção do indivíduo e estilo de vida), trazendo-a como resultado de uma variação genética.

A nova geração de psicólogos, tende à valorização de relações extra-familiares, ou seja:

As relações interpessoais com vizinhos, colegas da escola e da rua, como fatores que mais pesam no desenvolvimento da personalidade, nesse sentido, meninos que se comportam segundo o estereótipo de menino (gostam de brincadeiras mais agressivas, se identificam com heróis, gostam de aventuras, ação, são menos obedientes e se encrencam na escola por má conduta mais que as meninas etc) se diferenciam delas que costumam ter um jeito mais suave e introspectivo. O "normal" nessa cultura é esperar que os meninos sintam-se atraídos pelas mulheres, mas não em ser como elas. Porém, sobram perguntas sem respostas satisfatórias. Como entender as pessoas que desde crianças sentem-se atraídas pelo estilo das meninas? Será que, só por essa tendência, fatalmente desenvolverão homossexualismo ou será apenas uma fase passageira? E as meninas que admiram mais as meninas, que são fascinadas por pessoas famosas, será que estão sendo atraídas a se tornarem homossexuais ou trata-se somente de simples admiração? (LIMA, 2001).

FERENCZI (1911;1992, p.117-130) diz que: “a criança, num certo estádio do seu desenvolvimento normal, manifesta sentimentos anfieróticos, quer dizer, ela pode transferir sua libido ao mesmo tempo para o homem (o pai) e para a mulher (a mãe)”.

Pode ser observado em diversas culturas do mundo que as pessoas podem ter atração pelo mesmo sexo e se distanciar do sexo oposto, ou seja, as amizades são mais fáceis de acontecer em grupos inteiramente masculinos ou inteiramente femininos do que em grupos mesclados.

Até o presente momento, os estudiosos no assunto, parecem concordar em um ponto: não há como determinar uma causa/ motivo para Homossexualidade.

1.3 Panorama Sócio-Histórico

FOUCAULT (2005) faz uma análise da ciência do sexo (scientia sexualis), cujo objetivo era obter informações sobre esse aspecto do ser humano. Segundo o autor, a partir dos SEC. XVI e XVII houve uma proliferação dos discursos sobre o sexo, com o claro objetivo de se obter o controle sobre o mesmo.

No Séc. XIX , torna-se um projeto cientifico, visando produzir verdades sobre o sexo, mas claramente comprometido com o evolucionismo e o racismo oficial. Através do discurso médico, protegido pela pretensa neutralidade cientifica, o sexo passa a ser relacionado a uma “moral de assepsia com interrelação entre o patológico e o pecaminoso, associado à biologia da reprodução” . À ciência, atribuiu-se a tarefa de produzir discursos verdadeiros sobre o sexo, e isto tentando ajustar, “o antigo procedimento da confissão às regras do discurso científico.” (pg. 66). No caso da confissão, os fiéis eram incentivados a contar suas práticas e desejos sexuais, mas com o objetivo de obter controle e poder sobre aquele que confessava, já que era o representante religioso que detinha o poder de condenar ou absolver o confessor. Aos poucos , a noção do sexo ligado a patologia e ao pecado, foi se desvinculando do discurso religioso e “emigrou para a pedagogia, para as relações entre adultos e crianças, para as relações familiares, a medicina e a psiquiatria” (pg. 67).

A ciência sexual no ocidente difere da Arte erótica existente em países orientais, que busca saber sobre o prazer, não com o intuito de produzir verdades ou domínio sobre o mesmo, mas visando ampliá-lo. Note que enquanto no ocidente a produção de verdades sobre o sexo tinha como objetivo principal a obtenção de domínio e “ assujeitamento”, os orientais, buscavam o prazer que pode ser obtido do sexo. Por isso, para o autor, a homossexualidade é uma forma de romper com o discurso dominante, um ato de rebeldia e não submissão aos poderes estabelecidos e legitimados. Desta forma, a homossexualidade teria um caráter transformador, desafiando regras e convenções.

2. Aspectos Teóricos

A seguir serão apresentadas algumas explanações teóricas acerca dos principais aspectos tratados neste artigo:

2.1. Sobre A Educação

A educação sempre esteve presente na humanidade. Os indígenas, por exemplo, passavam para seus filhos tudo o que era essencial para se tornarem grandes guerreiros. Existiam também certas características específicas de cada tribo que eram passadas de pai para filho, não existindo uma escola ou um educador, mas sim, a transmissão de cultura e conhecimento retransmitidos todos os dias para a tribo (BRANDÃO, 1991).

O processo de educação surge com a família, no momento em que os pais ensinam a seus filhos o que julgam ser certo e como devem ser comportar. Iniciando assim a formação da criança.

A aprendizagem é um fenômeno natural, no momento em que o bebê vem ao mundo é exposto a vários fatores de aprendizagem, alguns inatos, como a sucção, outros aprendidos culturalmente, como por exemplo, a partir da identificação de sons até a consolidação da fala com uma linguagem específica. A educação está em todo lugar, e em situações completamente diferentes umas das outras, dependendo muito da cultura de determinado povo, porém, não há um único modelo de educação, ela pode estar presente nas escolas, teatros, famílias, etc (BRANDÃO, 1983).

A escola, por exemplo, faz parte do meio de aprendizagem do indivíduo, pois assim, este é capaz de adquirir conhecimentos referentes a áreas específicas, como por exemplo, Matemática, Geografia, História, Língua Portuguesa, entre outras. Porém a escola não transmite apenas conhecimentos obtidos pela ciência, mas também educa a criança para a vida, dando continuidade ao processo da família.

O processo de aprendizagem busca desenvolver no indivíduo o interesse, a curiosidade e a motivação, para assim estimular a vontade de aprender.

Aprender significa tornar-se, sobre o organismo, uma pessoa, ou seja, realizar em cada experiência humana individual a passagem da natureza à cultura. (BRANDÃO, 2006, p. 22).

A educação forma a personalidade do indivíduo médio e o prepara para viver a cultura, é pela educação que a gênese da cultura se opera no indivíduo. Pode-se descrever a cultura mostrando como o indivíduo a assimila e como nele se constitui, à medida que ele a vai assimilando. Isto porque a educação é, ao mesmo tempo, uma instituição que o indivíduo encontra e o meio que ele tem para encontrar todas as instituições (DUFRENNE apud BRANDÃO, 2006).

A formação do adulto é um processo de aquisição pessoal de saber, crença e hábito de uma cultura; essa passagem de cultura de um sujeito para outro é denominada hoje como educação, ou seja, a educação nada mais é do que um processo contínuo que busca a transmissão de conhecimentos, uma relação de troca e de saber entre as pessoas, que visa uma melhor integração individual e social.

A educação é um processo de produção de conhecimento e qualificações que juntas constroem tipos de sociedades, onde, a educação de uma certa sociedade tem identidade própria, pois ela está estruturada de acordo com a sua cultura.

2.2. Homossexualidade na Escola

Nos tempos atuais há uma grande necessidade de repensar sobre as relações humanas, focando principalmente na homossexualidade. Mesmo não obtendo respostas dadas pela ciência ou pela psicanálise ajudam na mudança rápida e na opinião das pessoas. Antigamente a homossexualidade era encarada como algo errôneo, mal visto pela sociedade. (MIRELLA, 2009).

Segundo MIRELLA (2009), estamos em uma face de transição de opinião que vem sendo notório a todos. É comum vermos casais homossexuais em bares, restaurantes, festas, cinemas, e cada dia mais essa liberdade de escolha sexual começa a ser aceita, mostrando a mudança da sociedade.

Um dos primeiros contatos sociais que a criança e o adolescente encontram em suas vidas são as escolas, onde aprendem lógica, línguas e principalmente sobre outras culturas e sociedades. Porém, nem todos os assuntos são abordados com afinco, como por exemplo, a homossexualidade ainda tratado com preconceito e desinformação. É comum nas escolas brincadeiras de mau gosto, maus tratos físico e/ou verbal ao individuo homossexual, podendo causar-lhe grandes danos psicológicos e morais, sem que os demais percebam e assim dando continuidade as suas “brincadeiras”. As escolas tanto particulares quando publicas deveriam abranger mais sobre esse assunto, dando oportunidade dos alunos se aproximarem mais e de obter mais conhecimento. Normalmente as escolas particulares não dão ouvido ao aluno homossexual que esta passando por problemas na escola, causando um grande impacto na vida social desse aluno. (SANTOS, 2010).

Aprendemos a viver em sociedade e para a sociedade é na escola que o aluno conhece seus direitos e deveres, se manifesta, constrói sua própria opinião e aceita as diferenças dos outros, o professor entra como um gancho mediador de todo o conhecimento que está sendo construído e se necessário trabalha para modificá-lo. Para se trabalhar com o assunto da homossexualidade em sala de aula, observamos varias dificuldades, como o constrangimento por parte de alguns alunos , por tratar-se de um assunto “reprimido” na sociedade, causando conflitos entre a escola e os pais, que muitas vezes desinformados, julgam a disciplina e assim criam obstáculos. (MIRELLA, 2009).

A capacitação dos professores e as ações educativas da escola, são fundamentais para favorecer o fortalecimento da educação sexual, focando principalmente nos assuntos sobre homossexualidade e lesbianismo, potencializando a possibilidade de relação humanas mais igualitárias. (MIRELLA, 2009).

2.3. Homofobia e a Constituição

A homossexualidade não é mais vista como doença, como desvio, como crime pela medicina e psicologia, porém a escola continua a esquivar-se de tratar esse assunto, ou quando tenta mencionar o tema, este vem carregado de preconceitos e piadas contribuindo assim para a exclusão e violência desse grupo social.

Discutir sobre a homossexualidade é um tabu nas escolas, causando diversas reações, desde surpresa, vergonha e risos a horror, desdém e desconfiança. A homofobia incomoda tanto o homossexual quanto que a reproduz.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) publicou em 2004 o estudo Juventude e Sexualidade, fruto de uma pesquisa em 14 capitais brasileiras. O levantamento indicou, entre outros tópicos, que cerca de 27% dos(as) alunos(as) não gostariam, por exemplo, de ter um(a) colega de classe homossexual, 60% dos professores(as) não sabem como abordar a questão em sala de aula e 35% dos pais e mães não apóiam que seus filhos(as) estudem no mesmo local que gays e lésbicas. (GUIA PARA EDUCADORES(AS), 2006, p.8).

A pesquisa realizada pela UNESCO já revela como a maioria das escolas lida com a homossexualidade, esta evita falar ou discutir o tema.

A homossexualidade nas escolas é muitas vezes vista como uma prática desviante, amoral, fora dos padrões aceitáveis para um processo educativo, ou simplesmente ela é silenciada, percebida, mas ignorada (ABRAMOVAY, 2004).

Dentro dessa educação homofóbica que vem acompanhada de uma falta de sensibilidade para o diferente acaba-se tendo como resultado o silencio e a dissimulação. A incapacidade de muitas escolas em estudar esse tema, diluir os preconceitos e cessar as piadas, comentários maldosos, transferências de alunos por não adequação à escola e aos padrões por ela imposta, acaba resultando em quando não é possível esconder ou silenciar a manifestação de alunos homossexuais, a homofobia atua da forma cruel e intolerante entre os alunos e com a anuência ou omissão de professores.

Outra contradição que se pode encontrar na escola é que ao mesmo tempo em que ela reproduz a homofobia negando o reconhecimento para esses sujeitos, esta se alicerça em leis e estatutos que rejeitam qualquer tipo de exclusão, desrespeito a liberdade e integridade humana. Assim, todas as escolas deveriam respeitar a Constituição Federal de 1988, que em seu artigo 5° diz o seguinte:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se a todos a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e a propriedade. Ninguém será obrigado fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei. (parágrafo 2º)

III - Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento desumano ou degradante.

Também é encontrado no artigo 15 do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990):

Art. 15 – A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais, garantidos na Constituição e nas leis.

A homofobia é uma produção histórica cultural que já foi justificada nas ciências e leis, e a escola inserida nessas condições históricas as reproduz e reafirma o que a sociedade exige dela, portanto ela não é criação exclusiva da escola, é produto de toda uma produção histórica ao longo de décadas.

A homofobia acabou adquirindo explicação para ser praticada e foi banalizada pela sociedade e escola, na qual as atitudes preconceituosas chegam a ponto de tornarem-se normais.

A escola deve ser pensada como um ambiente onde valores humanos, igualdade, respeito, solidariedade e democracia sejam os pilares fundamentais, e onde também, a exploração, e qualquer forma de discriminação seja rigorosamente combatida. Um novo mundo está por nascer e, talvez ele dê seus primeiros passos na escola, para isso precisamos tomar consciência da discriminação e aos poucos desconstruirmos preconceitos, racismos, machismos e homofobias (LUCION, 2009, p.14).

3. Conclusão

De forma geral, o assunto “Homossexualidade” é abordado na escola, porém sem dar muita ênfase, tendo em vista que as principais questões são DST, gravidez, uso de preservativo e prevenção.

Segundo (LUCION, 2009),a educação sexual não está voltada para a diversidade colocada, mas sim em padrões heterossexuais fixos que acabam produzindo pessoas infelizes, cercadas de culpa por serem diferentes. A sociedade de padrões brancos, masculinos, heterossexuais acaba refletida na escola que segue esses mesmos padrões transformando aqueles que não se encaixam nesse esquema em pessoas indesejáveis, passiveis de serem ridicularizadas, desprezadas, segregadas, vítimas das piores violências e ódio que assim é chamado de homofobia.

Neste momento encontra-se uma grande contradição, pois o papel da escola e dos educadores é de inclusão. Há programas de inclusão dos portadores de necessidades especiais, inclusão do ensino indígena nas aldeias, da cultura afro, dos adultos para alfabetização e, no entanto, sobre as manifestações de sexualidade a escola mantêm-se silenciosa, contribuindo muito para a pratica da homofobia.

FERNANDES (2007) analisa a relação da família com adolescentes homossexuais, mas tem seu foco no contexto escolar, uma vez que a escola é o ambiente que deve favorecer o respeito pela diversidade. Embora, na pratica as coisas não sejam bem assim, pois na escola o adolescente homossexual sofre discriminação e preconceito, e dificuldade de aceitação por parte de alunos e professores. Os amigos tendem a se afastar, pois acabam também sendo rotulados como homossexuais e sofrendo o mesmo tipo de discriminação e preconceito. Desta forma, o adolescente homossexual acaba sendo vitima de muito sofrimento, provocado pela rejeição no espaço que deveria servir como mediador e acolhedor destes jovens. Os homossexuais não são vistos como normais e produtivos, gerando um isolamento por parte do próprio sujeito, o que compromete a constituição de sua identidade, fazendo com que o mesmo ou repense sua opção sexual ou se marginalize buscando preservar sua opção . Isto se deve segundo LOURO (apud Fernandes 2007), ao fato de que as pessoas sentem a heterossexualidade ameaçada e se obrigam a afirmá-la de todas as formas possíveis. Na escola, os alunos não são estimulados a serem solidários com seus colegas “diferentes”, étnicos, sexuais ou com necessidades especiais. Vê-se aí, que a escola ao não abordar estas questões, acaba por legitimar as marcas da diferença. Segundo a autora, a sociedade não discute abertamente a homossexualidade, com medo de que isso possa interferir na orientação sexual dos adolescentes, mas que a escola tem a obrigação de discutir o tema, uma vez que é uma instituição social, cuja função é formar cidadãos.

A escola deve ser fonte de conhecimento e desmistificação de tabus e preconceitos infundados. A escola se apresenta ignorante quando não aprofunda tais questões, não adianta falar sobre o assunto se a forma de apresentá-lo estiver carregada de preconceitos, sem um preparo do profissional que se dispõe a falar (FERNANDES, 2007).

Somente através da discussão objetiva, clara e isenta de preconceitos, é possível tratar a sexualidade de forma ampla, dentro do espaço escolar, pois o silencio fortalece o preconceito e a desinformação.



Fonte:
A Sexualidade na Escola Homossexualidade - Sexualidade - Psicologia Geral - Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/psicologia-geral/sexualidade/a-sexualidade-na-escola-homossexualidade#ixzz1l4hoXrHK

http://artigos.psicologado.com/psicologia-geral/sexualidade/a-sexualidade-na-escola-homossexualidade

A formação de uma identidade sexual

Escrito por Melo, M. A. S. |

A vasta quantidade de pesquisa sobre a formação de identidade sexual assume que a identidade finalmente adquirida será uma identidade heterossexual, ou seja, uma identidade centralizada em uma preferência sexual por membros do outro sexo. Entretanto, um número considerável de pessoas exibe preferências não-heterossexuais -ou seja, uma preferência por membros do seu próprio sexo como parceiros sexuais. Por isso, para lidar com a questão da identidade sexual, precisamos primeiro considerar a questão da orientação sexual.

A orientação sexual refere-se ao sexo em relação ao qual se tem sentimentos eróticos. A orientação sexual é claramente importante para a identidade com o papel do sexo, mas não se pode considerar que ela determine a identidade sexual. A identidade sexual também é influenciada pelas categorias de sexualidade presentes na cultura da pessoa e pelas atitudes da pessoa para com aquelas que se ajusta a essas categorias. Tantas categorias culturais da sexualidade quanto às atitudes culturais em relação a elas variam muito entre as sociedades e dentro das sociedades no decorrer do tempo.

Formação da identidade heterossexual

Durante os anos da segunda infância , quando a maior parte dos jovens prefere passar o tempo com membros do seu próprio sexo, o sentido do eu das crianças em geral depende muito de como as outras crianças do mesmo sexo reagem a elas. Em sua maioria, as crianças durante esse período são indiferentes ou hostis aos membros do outro sexo. Mais tarde, como resultado das mudanças provocadas pela puberdade, seu movimento baseado na indiferença ou no antagonismo para um movimento baseado na atração. O trabalho de Sigmund Freud tem tido uma influencia duradoura sobre a maneira de pensar dos psicólogos sobre esse processo. Os psicólogos freudianos encaram a adolescência como um período em que as crianças experimentam novamente os conflitos dos estágios anteriores, só que em novos aspectos. Em sua opinião, a menos que esses problemas sejam elaborados e resolvidos, a personalidade do adulto será distorcida. Segundo Freud, entre os problemas desenvolvimentais iniciais que devem ser reelaborados, é fundamental o desejo primitivo da criança de possuir o pai (caso se trate de uma menina) ou a mãe (caso se trate de um menino). A maneira usada pelas crianças pequenas para resolverem esse conflito, que Freud chamou de complexo de Édipo, é reprimir o desejo licito identificando-se com o genitor do mesmo sexo. Freud declarava que essa resolução infantil é essencial para a identificação adequada do papel do mesmo sexo.

Esses primeiros sentimentos edipianos são encontrados novamente na adolescência, mas a repressão e a identificação com membros do mesmo sexo não são mais as respostas adaptativas que eram no fim da fase de bebe. A puberdade, na opinião de Freud, redesperta o desejo sexual em uma época em que os adolescentes são plenamente capazes tanto de realizar os atos proibidos quanto de entender o tabu do incesto que lhes nega o genitor como um parceiro sexual.

Freud defendia que a combinação de desejo desperto e pressão social levam o adolescente a procurar pessoas fora da fam cia de interação com os pares do outro sexo e virtualmente nenhuma experiência de amizade com pares como parceiros sexuais, portanto, novos modos de comportamento social terão de ser aprendidos. Em segundo lugar, uma mudança no objeto do afeto de um genitor para um par requer desligamento emocional da família, que tem sido a base da segurança emocional desde o nascimento. Reconhecendo a dificuldade dessa tarefa, Freud referiu-se a reorientação do afeto do adolescente como sendo “uma das aquisições psíquicas mais dolorosas do período da puberdade”.

Quando um adolescente concentra seus sentimentos sexuais e sua excitação em um sexo ou no outro, esses sentimentos tornam-se a base da construção de uma identidade sexual.

Formação da identidade não-heterossexual

Quando se esta se tratando da questão da orientação sexual do mesmo sexo, a primeira pergunta que surge é: o que faz com que uma pessoa seja sexualmente orientada para outras pessoas do mesmo sexo? Duas explicações biológicas para orientações sexuais do mesmo sexo atraíram a maior parte da atenção entre os psicólogos do desenvolvimento. A primeira é que uma orientação não-heterossexual tem base genética. Achados que parecem apoiar essa suposição vem de estudos realizados com gêmeos: as chances de ambos os membros de um par de gêmeos ser homossexual é duas a cinco vezes maiores entre gêmeos monozigóticos do que entre gêmeos dizigoticos. Outro achado dá suporte a hipótese genética é que tanto as mulheres lésbicas quanto os homens gays tem proporções mais altas de irmãos e irmãs que também expressam preferências do mesmo sexo do que homens e mulheres heterossexuais.

Esses dois resultados parecem indicar que os fatores genéticos desempenham um papel na determinação da orientação sexual de um individuo. Entretanto, se os genes fossem toda a historia, seria possível esperar que todos os gêmeos monozigoticos fossem semelhantes nesse traço, e isso não acontece. Alem disso, os dados não explicam como os genes operam para influenciar a orientação sexual de uma pessoa.

A segunda explicação biológica para uma orientação não-heterossexual que recebeu ampla atenção concentra-se no papel dos hormônios no desenvolvimento pré-natal.

Durante os últimos seis meses do desenvolvimento pré-natal, a presença da testosterona serve para suprimir a atividade rítmica natural do cérebro. Se a testosterona estiver ausente, a glândula hipófise estabelece o padrão cíclico da secreção hormonal característica da mulher. Na maior parte dos casos, os efeitos dos andrógenos no cérebro fetal são complementares ao sexo genital do feto. Entretanto, se por alguma razão, o feto masculino é insensível aos andrógenos, ou se o feto feminino é exposto a andrógenos durante o período crítico, quando alguns caminhos neurais estão-se formando, pode ser que se torne mais provável uma preferência pelo mesmo sexo nos parceiros sexuais.

Boa parte da pesquisa conduzida para demonstrar os efeitos dos hormônios sexuais sobre o cérebro e sobre o comportamento sexual subseqüente foi conduzida com animais. As fêmeas que forma expostas a andrógenos no útero é mais ativas que as outras fêmeas, e tentam montar nos outros animais. Os machos que são desprovidos de andrógenos mostram comportamentos de acasalamento feminino e se apresentam para ser montados.

Um estudo recente realizado com mulheres adultas que forma expostas à droga DES(diestilestilbestrol) no útero presta apoio adicional a essa hipótese. O DES, que agora foi proibido devido a seus efeitos cancerígenos é um hormônio sintético que foi dado a mulheres grávidas que corriam o risco de abortamento. A suspeita de que a droga afetava o desenvolvimento sexual, aumentando a produção de andrógenos masculinizantes durante o período de organização cerebral do feto levou os pesquisadores a compararem as mulheres que foram expostas à droga no útero com um grupo de mulheres de idade e historia medica similares que não foram expostas à droga. Como foi esperado, as mulheres que foram expostas ao DES no útero tiveram uma pontuação mais elevada nas avaliações de orientação homossexual e bissexual do que seus pares que não foram expostos a droga.

Também foram oferecidas explicações ambientais para uma orientação não-heterossexual concentrando-se nas maneiras como a orientação sexual são aprendidas. Uma hipótese antiga é que os adolescentes podem assumir uma orientação não-heterossexual porque foram seduzidos quando pequenos por um individuo mais velho-gay, lésbica ou bissexual. Embora algumas lésbicas gays ou bissexuais possam ter sido seduzidas por uma pessoa do mesmo sexo quando eram pequenos, entrevistas realizadas com lésbicas e gays constataram que a maior parte deles não participa de atividades do mesmo sexo senão depois que se tornam conscientes da sua atração. Uma hipótese relacionada é que uma orientação não-heterossexual é o resultado de uma espécie de impressão sexual. Segundo essa teoria, se os primeiros encontros sexuais de uma pessoa forem com alguém do mesmo sexo, a excitações sexuais se tornara associada a membros do seu próprio sexo.

Como, na verdade, as primeiras explorações sexuais de muitas pessoas ocorrem com membros do seu próprio sexo, essa hipótese não consegue explicar por que muitas pessoas desenvolvem uma orientação heterossexual.

Embora se acredite que a atividade não-heterossexual seja disseminada, somente uns números pequenos das pessoas que nela se envolvem se identifiquem como gays lésbicas ou bissexuais. Devido a essas disparidades, vários pesquisadores contemporâneos fazem a distinção entre (1) ter uma orientação não-heterossexual, (2) envolver-se em um comportamento sexual com alguém do mesmo sexo e (3) assumir uma identidade não-heterossexual. Em sua opinião uma identidade não-heterossexual envolve uma interação de influencias biológicas e ambientais.

Uma teoria interacionista que tem recebido atenção concentra-se na auto-rotulação. Segundo esta opinião, “as crianças cuja aparência e maneirismos se assemelham ao do sexo oposto tornam-se confusas sobre sua identidade sexual e essa confusão aumenta suas chances de se sentirem atraídas por membros do seu próprio sexo”.

Ou seja, os meninos cujo comportamento é percebido pelos outros como feminino e as meninas que são vistas como moleques e cujo comportamento não é considerado feminino tem maior probabilidade de passar a pensar em sis mesmos como diferentes dos outros membros do seu sexo.

Devido a essa diferença, elas passam a se rotular como gays, ou lésbicas ou bissexuais. Em apoio a essa hipótese, a pesquisa tem mostrado que meninos muito femininos tornam-se gays ou bissexuais. Embora haja menos pesquisas sobre meninas masculinizadas, a pesquisa existente sugere que embora muitas se tornem heterossexual, há uma chance maior que a media de se tornarem lésbicas.

Vários intelectuais defendem que devido a enorme diversidade entre os indivíduos não heterossexuais, é razoável supor que a origem e o desenvolvimento da orientação e da identidade sexuais variam muito de uma pessoa para outra. Para alguns indivíduos não-heterrosexuais, a biologia pode desempenhar um papel preponderante, para outros, a aprendizagem ou o meio social em que se encontra em um determinado período das suas vidas pode ser o fator-chave.

Estágios da formação da identidade não-heterossexual

As regularidades desenvolvimentais na seqüência através da qual uma pessoa forma uma identidade não-heterossexual tem inspirado em muitas sociedades tentativas de descrever estágios. Richard Troiden ofereceu um modelo de estágios da formação da identidade que se ajusta a experiência de muitos gays norte-americanos nas ultimas décadas.

Estagio 1: Sensibilização; sentir-se diferente. Em relatos retrospectivos, os homens com uma orientação homossexual frequentemente dizem que durante a segunda infância tiveram experiências sociais que fizeram-nos sentir diferentes das outras crianças e que serviram, mais tarde , para tornar a homossexualidade pessoalmente importante para eles, embora supusessem na época ser heterossexuais. Comentários típicos são: “eu não conseguia suportar esportes, então, naturalmente isso me tornou diferente. Uma bola atirada em mim era como se fosse uma bomba”, “ eu simplesmente não me sentia como os outros meninos . eu adorava coisas bonitas como fitas, flores, musicas.”

Estagio 2: auto-reconhecimento, confusão de identidade. Quando esses meninos entram na puberdade, percebem que se sentem atraídos por membros do mesmo sexo e começam a rotular esses sentimentos como homossexuais. Esse reconhecimento é a fonte de uma enorme desordem interna e confusão de identidade. Não conseguem mais considerar suas identidades heterossexuais como estabelecidas e sabem que os indivíduos homossexuais são estigmatizadas.

No meio ou no fim da adolescência, eles começam a acreditar que são provavelmente homossexuais porque não tem interesse nas atividades heterossexuais de seus pares. Muitos adultos homossexuais lembram-se da adolescência como uma época em que eram solitários e rejeitados socialmente. Essa situação psicológica e pessoal perturbadora provoca negação e tentativas de racionalizar sua orientação sexual diferente de maneiras socialmente aprovadas.

Estagio 3: assumindo a identidade. Algumas pessoas jovens que tiveram experiências homossexuais e reconhecem que preferem as relações sexuais com pessoas do seu próprio sexo não explicitam sua preferência. Muitos outros , no entanto, saem do reconhecimento privado da sua preferência homossexual para admiti-la abertamente ,pelo menos para outros homossexuais. Embora a identidade homossexual seja assumida durante os primeiros estágios desse processo, ela frequentemente não é totalmente aceita.

Os jovens que adquiriram esse nível de identidade homossexual lidam com isso de varias maneiras. Alguns tentam evitar contatos homossexuais e tentam passar por heterossexuais porque tem medo de serem estigmatizados. Outros adotam os estereótipos dos homossexuais da sociedade mais ampla e se comportam de maneiras extremas que se ajustam a esses estereótipos. Outros ainda, começam a se posicionar dentro da comunidade homossexual de uma maneira reservada.

Estagio 4: compromisso, integração da identidade. Esse nível final é atingido por aqueles que adotam a homossexualidade como um modo de vida. A integração da identidade é indicada por uma fusão da própria sexualidade e dos compromissos emocionais, através de expressões de satisfação com a própria orientação e pela revelação publica da sua identidade homossexual.

Troiden observa que o compromisso com uma identidade homossexual pode variar de fraca para forte, dependendo de fatores como o sucesso do individuo em formar relacionamento pessoais satisfatórios, ser aceito por sua família e ter uma boa atuação no trabalho ou na carreira.

Precisa ser enfatizado que uma seqüência de mudanças na identidade sexual como aquela descrita por Troiden não deve ser considerada universal. Em algumas sociedades e em outras épocas na história, o comportamento sexual de adolescentes do mesmo sexo não era considerado como expressão de uma identidade sexual para a vida toda. Ao contrario tem sido interpretado de varias maneiras tais como uma resposta necessária a uma pratica cultural de segregação sexual, como uma maneira de aprender sobre o sexo, como parte do ritual de se tornar adulto, ou como uma explicitação divertida de atração sexual por pessoas que tem um excesso de energia sexual.



Fonte:
A formação de uma identidade sexual - Sexualidade - Psicologia Geral - Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/psicologia-geral/sexualidade/a-formacao-de-uma-identidade-sexual#ixzz1l4idASuD

http://artigos.psicologado.com/psicologia-geral/sexualidade/a-formacao-de-uma-identidade-sexual

Dormir de conchinha com a pessoa amada faz muito bem


Você sabia que a posição em que se dorme com o amado pode refletir a situação em que se encontra o relacionamento?

São diversos os fatores que influenciam a forma como os casais pegam no sono.

A maioria das pessoas aprende a dormir de formas definidas por um grupo cultural, porém alguns escapam destas regras ou recebem outras ligeiramente diferenciadas.

Como todo aprendizado, a forma de dormir pode ser modificada. As pessoas mudam para se adequar ao casal.

“Existem casais que desde o início do relacionamento demonstram que o dormir abraçados é o que representa o amor de ambos, um pelo outro. Para estes casais o dormir afastado um do outro, num determinado momento do relacionamento significará que estão em conflito”, afirma Dr. Oswaldo Martins Rodrigues Jr., diretor e psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de sexualidade. Porém, o especialista explica que existem casais que somente se abraçam no começo do dormir, mas que ao adormecerem de fato se separam. E que isso não significa que haja um mal-estar entre eles.

Lembrando que a posição que escolhemos perdura apenas no estado de vigília, saiba que dormir agarradinho é sinal de intimidade. “Podemos, inicialmente, deduzir que a percepção de intimidade física e permissividade de aproximação corporal existem quanto mais partes do corpo mantém-se tocadas”, explica o psicoterapeuta sexual. Dr. Rodrigues Jr. reforça que o fato de o rapaz dormir na beirada da cama não significa que ele esteja insatisfeito com a relação. “Não há teoria de Psicologia ou dados de pesquisa que comprovem esta relação”, diz.

Não leve a sério os infográficos que avaliam sua relação pela posição em que você dorme com o amado. A analise só é verdadeira quando feita individualmente. “Devemos perguntar a cada qual como é que se sente e o que lhe passa pela cabeça quando dorme de determinada maneira”, diz o psicoterapeuta. “Nem sempre o grau de intimidade física de duas pessoas dormindo entrelaçadas implica em relacionamento com bom sexo, apenas sugere intimidade e desprendimento de controle sobre o corpo”, completa.

Já que a posição em que dormimos é um comportamento adquirido, que tal aprender algumas para tentar com o gato?

- Que eles detestem vá lá, mas não há mulher que não goste. ‘Conchinha’ é o sonho de todas as moças. A posição permite um maior contato corporal. Além disso, atiça as principais áreas erógenas.

- Quem quer poder tocar o peito, joelhos, pés e pernas do companheiro devem dormir de frente um para o outro. Aproveitem para ficar bem pertinho.

- Se você quiser dar conforto ao rapaz, deite-se de costas e convide-o para se aconchegar nos teus seios. Duvido que ele se recuse.

- Outra boa ideia é deitar com as pernas e braços entrelaçados, um de frente para o outro. É provável que esta posição não veja o sol nascer, mas vale o quanto durar.

http://www.melhoramiga.com.br/2012/01/voce-sabia-que-a-posicao-em-que-se-dorme-com-o-amado-pode-refletir-a-situacao